olhou a moto estacionada
-olá, bom dia.
- olá. gosta de motos?
- desde miúda.
- óptimo! quer ir à outra banda?
- você está a perguntar a um cego se quer ver.

direcção, cabo espichel.
- vamos parar. quero mostrar-lhe um sítio especial da minha juventude.
- ok.
conduziu, quase a pé, até bem perto da falésia. subiu à única pedra branca do lugar. depois encetou caminho até ao areal. ela seguia-o em silêncio.
- ontem estava um dia feroz. bom para morrer. se você não me tem dito que hoje vinha comigo, tinha-me atirado lá de cima.
a rapariga exitou no falar. não estava preparada e o homem parecia-lhe tão sério.
- já olhou bem a água? era um splash de se ouvir em lisboa. ia aparecer em todos os jornais.
se um dia me apetecer coisa parecida, não há-de ser no mar. respeito-o muito.

- vamos comer uma santola a sezimbra?
- bom programa. isto de falar de suicídio abriu-me o apetite.
riam.
na realidade a rapariga tinha o coração tão pequenino como o de um pardal. mas dar parte de fraca, não estava nos projectos do passeio.
à noite, mal fechou os olhos, viu um pé enorme sobre uma pedra branca, à beira de um abismo.
mouser.org
- estaria ele a falar a sério?
raio de sentido de humor para quem fala em casar!
1 Comentários:
:)
moto...
continua!
estou curioso.
:)
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