3/13/2006

olhou a moto estacionada

antes de olhar o homem e sorriu.

-olá, bom dia.

- olá. gosta de motos?

- desde miúda.

- óptimo! quer ir à outra banda?

- você está a perguntar a um cego se quer ver.


at digilander.libero

direcção, cabo espichel.

- vamos parar. quero mostrar-lhe um sítio especial da minha juventude.

- ok.

conduziu, quase a pé, até bem perto da falésia. subiu à única pedra branca do lugar. depois encetou caminho até ao areal. ela seguia-o em silêncio.

- ontem estava um dia feroz. bom para morrer. se você não me tem dito que hoje vinha comigo, tinha-me atirado lá de cima.

at stofanet

a rapariga exitou no falar. não estava preparada e o homem parecia-lhe tão sério.

- já olhou bem a água? era um splash de se ouvir em lisboa. ia aparecer em todos os jornais.

se um dia me apetecer coisa parecida, não há-de ser no mar. respeito-o muito.


.wave.co.nz

- vamos comer uma santola a sezimbra?

- bom programa. isto de falar de suicídio abriu-me o apetite.

riam.

na realidade a rapariga tinha o coração tão pequenino como o de um pardal. mas dar parte de fraca, não estava nos projectos do passeio.

à noite, mal fechou os olhos, viu um pé enorme sobre uma pedra branca, à beira de um abismo.


mouser.org

- estaria ele a falar a sério?

raio de sentido de humor para quem fala em casar!

2 Comentários:

Blogger adesenhar disse...

:)
moto...
continua!
estou curioso.
:)

março 14, 2006 1:20 da manhã  
Blogger alice disse...

ai amiga que arrepiante
que sensação fabulosa, na verdade
invadiu-me completamente
muito obrigada
um beijinho,
alice

março 14, 2006 11:03 da manhã  

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