12/17/2006

ela não fala mais

by Biliana Rakoevic

que queime tudo. diz. será esse o final de todos os escritos que deixou. tão escassos já.

vejo-a ainda. de preto. quase sempre. um cigarro mais para ter entre dedos, que para o fumar de facto.

viciada? - em gestos. em rituais.

as mãos magras de dedos compridos urgiam um objecto para as usar. o cigarro serviu.

agora que partiu lamento até a falta do gesto de a ver pegar nesse cigarro que não sorvia sofregamente. como não deve ter sequer feito ao seio da mãe. eu, que nem fumo...

partiu. foi de caminho viver e contar o que viveu-sentiu.

está, enquanto estiver. e além dos três filhos que deixou vive uma espécie de vida e morte com ou sem companhia. mas segue. sabe, há muito, que não há tempo para parar.

vou tratar de queimar os papéis. talvez me doa. mas para que servem, como ela diria, os amigos de sangue verdadeiro?

cabe-me a mim encerrar este blog de parte da história-vida de Maria.

encerrei.

10 Comentários:

Blogger Daniel Aladiah disse...

Às vezes vale a pena encerrar de vez aquilo que não nos deixa viver.
Um beijo
Daniel

dezembro 17, 2006 11:01 da tarde  
Blogger Teresa Durães disse...

raios, não estava encerrado????

agora vim aqui e revive????


(quero o email com os abertos e fechados maldita mulher!!!! maldita mana de um raio!!! olha eu fumo sofregamente! eheheeheh)

janeiro 02, 2007 11:34 da tarde  
Blogger anjoedemonio disse...

passei vinda não sei bem de onde e adorei!!!

vou voltar...

fevereiro 26, 2007 5:36 da tarde  
Blogger della-porther disse...

paper

vez por outra me pego amanhecendo nesse lugar.

gosto muito daqui.

beijos carinhosos

della

abril 21, 2007 12:29 da tarde  
Blogger un dress disse...

só chegeui a.go.ra...

maio 22, 2007 4:10 da tarde  
Blogger linfoma_a-escrota disse...

HERMÉTICAMENTE FECHADOS

Noite luzídia com nuvens baixas
abastece-me de trovoada
(granizo se possível)
e impede-me de descansar
no silêncio constrangido deste
vulto macilento que me fecha a porta,
esconde-se a luz do corredor e
afasta-se sempre sozinha,
sem uma triste palavra
minha;

Sem mero gesto, sem gratidão
pelo seu rosto usado pelo tempo
(para mim)
eternamente belo,
eternamente materno e feminino,
tem a capacidade de
inundar as mágoas com tanta calma
somente através da pele e da pena,
mas sem a retribuição injusta dum
bébé inexorável e calado
(cego, surdo e mudo
incapaz de tudo),
aquela criancinha que
estalou os dedos pela primeira vez
e todos sorrimos.

Foi-se embora
dormir mais uma boa noite,
estará comigo amanhã com a
mesma entoação de sempre
onde esquecerei as palavras ideais
no egoísmo
deste ser que já não controlo
(amordaçado na cama da noite a
transpirar o candeeiro barroco
com sua sombra do costume
minha doce conhecida).
Calo-me pela simplicidade de tudo por
que não fui feito para mostrar nada;

que deduza a verdade
sem histeria paranóia
pneumonia preventiva em solo sagrado,
temos o sangue
larga-me o sexo que escasseia e
faz-me as vontades que
ninguém merece
(parede espada fria
noves fora deste jogo
neste corpo todos vivem e
todos morrerão sem dor).

No futuro veremos filmes
onde a dádiva estará implícita e
nunca chegará nunca
(tenho tanto medo de voar
sem ti no vento forte da vida),
liberta-te e liberta-me
desta nossa cama a ferro e fogo
onde temos desperdiçado um pouco de tudo.
Somos três estranhos
em cantos opostos a perder momentos,
infelizes e solitários numa gaiola dourada,
que se esperneiam como salamandras a
dar à luz,
num descontrolo total
pela beleza que nos arrancará daqui,
à força,
sem perguntas em demasia,
num balão de ar quente e
com a fotografia das costas de teu vulto
sempre comigo.

Eternamente impotente,
até desaparecer serei parte de ti
a conversar entre nós sem resposta
na inconsciência da infância,
ao raiar dum novo dia longínquo
serás ursinha peluda e fofa com mimos,
flores e distrações várias
a educar a ingenuidade do mundo
com massagens solidárias de cicatrizes mártires,
bem amadas.

2003


in FOTOSINTESE



WWW.MOTORATASDEMARTE.BLOGSPOT.COM

maio 24, 2007 4:20 da manhã  
Blogger aDesenhar disse...

podias reativar o Vida de Papel!

:-)
beijo

junho 23, 2007 2:03 da manhã  
Blogger Era uma vez um Girassol disse...

Também tenho saudades do Vida de Papel...
Criei laços com a Maria.
Engraçado o sentimento igual do Adesenhar!
Podias, não podias???
Beijinhos

julho 26, 2007 10:45 da tarde  
Blogger Muito além de mim... disse...

Oi,
Adoro ficar com teu blog aberto pra ficar ouvindo a flauta, a água... enquanto trabalho,relaxo!!!
(Obrigada por isso!)
O que me chamou a atenção do teu cantinho foi o título. Sou artista plástica e, além de outras "artes" faço papel reciclado e de fibras de bananeira. De vez em quando fico passeando pela net à procura de novidades sobre papel. E por causa do teu título achei vc! e fiquei surpresa de ver que estavas encerrando teu blog... não sei os motivos, devem ser fortes, mas se puder te ajudar...
Gostaria de ser tua amiga. Moro em Salvador, Bahia, Brasil mas sou portuguesa de Angola.
Adorei teus textos tb. Parabéns querida e fica bem, tá?
Beijo

maio 09, 2008 3:55 da tarde  
Blogger Muito além de mim... disse...

Ah! como conseguiste colocar som no blog?
Apesar de estar fazendo um curso de webDesign ainda não aprendi a colocar no BLOGSPOT.
Vc pode me ensinar???

maio 09, 2008 3:58 da tarde  

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