- o lugar está vago, não está?
- é por isso que lhe acho piada. responde sempre como se atacasse. vai ser uma viagem divertida...
- se contratasse um palhaço resolvia dois problemas, ria e tirava alguém do desemprego.
Veer.
a gargalhada, não parecesse ele inglês, seria igual à que os árabes dão nas nossas costas, se aceitamos pagar preços de americano. não resisti e ri também. talvez viesse a ser divertida a viagem.
paul o
- a quem está a dizer adeus? ninguém a ouve...
- não me diga? e eu tão convencida que sim.
- vá conte lá ou é segredo seu?
- só tenho segredos dos outros.
deixei lá em baixo a minha cria e faço sempre isto. estamos a sobrevoar o ninho onde ficou.
- a sua casa?
- a dos meus pais.
- então não vive só?
- se tenho um filho, o que é que lhe parece?
voltou a rir.
mas eu pensava demais na minha cria para lhe dar atenção.
paul o
- afinal tem segredos.
ria.
- quê?!
- perguntei se vivia sozinha para saber se era casada ou não.
- parvoíce! dizer uma coisa para perguntar outra.
acasalei, pari e pronto. entendeu?
- entendi.
também tenho três filhos. enviuvei cedo. começo agora ao voltar, a tentar ser um pai. espero ainda ir a tempo.
e foi falando até à descida em paris. escala por uma noite.
já no autocarro para o hotel continuámos juntos. o outros olhavam-nos de lado. como isso era costume!
- perdi os documentos todos!
malas à porta do hotel. reboliço geral.
e eu? porquê o sobressalto?
dou comigo a pensar: se os perdeu não vai. que neura de viagem!
Alan Babbitt
uma pedra no canteiro! guardo-a. desta terra só se aproveitam a arquitectura e as pedras. vai-me dar sorte. sei.